sábado, 26 de janeiro de 2013

Projeto Monteiro Lobato


APRESENTAÇÃO

A presente proposta de trabalho foi desenvolvida  no ano de 2011,  em uma escola municipal, para alunos do 2º e 3º estágios da Educação Infantil.
A idéia inicial para a realização do projeto partiu da necessidade do corpo docente da escola em resgatar Monteiro Lobato- o maior escritor infantil brasileiro de todos os tempos e que infelizmente não é lido nas escolas, como deveria. As crianças o conhecem pouco, quem sabe por causa dos textos longos e estão perdendo muito. A idéia inicial culminou com o projeto pedagógico da escola que prioriza o lúdico, a fantasia, a brincadeira, o faz-de-conta, as especificidades e peculiaridades da infância.


              Monteiro Lobato, movido pela indignação, antenado com o futuro, intuidor da capacidade das crianças e sabedor das suas inteligências espertas, deu para esta criança- leitora que escolheu como seu público com quem realmente valia a pena falar, o que tinha de melhor: sua graça irreverente, suas histórias emocionantes, seu conhecimento cutucador, seus personagens imprevisíveis, sua misturança fantástica do real com o imaginário, sua crença na liberdade.

BIOGRAFIA RESUMIDA
José Bento Monteiro Lobato nasceu em 18 de abril de 1882, em Taubaté (SP). Filho de José Bento Marcondes Lobato e Olímpia Augusta Monteiro Lobato. Quando criança, Monteiro Lobato brincava com suas irmãs menores Ester e Judite, era chamado de Juca e adorava os livros do seu avô materno, o Visconde de Tremembé. Lobato leu tudo o que havia para crianças em língua portuguesa e vivenciou a infância. Cresceu numa fazenda, se formou em direito sem nenhum entusiasmo, pois sempre quis ser pintor. Foi promotor público, casou-se, teve três filhos. Viveu no interior, nas cidades pequenas. Passou a vida escrevendo jornais, revistas... Em 1911 morreu seu avô Visconde de Tremembé e dele herdou a fazenda Buquira, neste mesmo ano, comprou a Revista do Brasil e começou a editar, surgiu a primeira editora nacional- Monteiro Lobato e CIA. Lutou pela campanha do petróleo no Brasil e pelo Brasil alternou entusiasmo e depressão. Escreveu para crianças ininterruptamente e com sucesso estrondoso. Morreu em 4 de julho de 1948, vítima de colapso, na capital de São Paulo.  

TEMA

Monteiro Lobato para ler, contar, cantar e encantar.

PROBLEMA

Valorizamos muito a cultura européia em detrimento da nossa, nesse contexto, percebemos a necessidade de apresentar um autor brasileiro  para instigar a curiosidade sobre a nossa cultura e o nosso rico folclore, dessa forma, buscamos resgatar nossa literatura.

JUSTIFICATIVA:

As recentes abordagens sobre os procedimentos de leitura e contação de histórias para crianças pequenas afirmam que, lemos e contamos os clássicos infantis diversas vezes e poucas vezes apresentamos Monteiro Lobato.  
Na perspectiva de contribuir com a formação de cidadãos conscientes da sua origem, produtores de cultura, que conheçam, valorizem nossa literatura e cultura, estruturamos este projeto de modo a articular o reconhecimento do legado cultural brasileiro como patrimônio nosso, promovendo o contato com a vida e obra de Monteiro Lobato, atrelada ao uso das diversas mídias no universo infantil.

OBJETIVO GERAL:

Contribuir com a difusão das obras de Monteiro Lobato.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

- Oportunizar o conhecimento do autor- Monteiro Lobato e algumas de suas obras;
-Promover apresentações teatrais de alguns dos personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo;
-Proporcionar a aproximação do aluno com o mundo encantado do Sítio do Pica-pau Amarelo;
-Desenvolver a linguagem oral a partir das músicas do Sítio;
-Estimular a memória e a percepção visual;
-Sensibilizar os alunos quanto a valorização e a importância da nossa literatura;
-Despertar a curiosidade;
-Estimular a fantasia e a imaginação através de diversas atividades;
-Fazer com que construam o hábito de ouvir e sentir prazer nas situações em que envolvam leitura.
PÚBLICO ALVO: Alunos entre 4 e 6 anos, (Educação Infantil).

METODOLOGIA:

Desenvolver diversas atividades sobre o tema. Realizar duas vezes por semana  de forma dinâmica e criativa. Dentre as atividades: exposição dialogada, leitura e análise de textos previamente escolhidos, projeção de imagens dos personagens, músicas, produções coletivas e individuais de desenhos, exposição de trabalho em mural, filme, produção de livro, dramatização, apresentação musical de alguns dos personagens, visita à biblioteca pública, exploração de receitas da tia Nastácia, captura de um Saci.
AVALIAÇÃO:

- Durante todo o processo;RECURSOS MATERIAIS NECESSÁRIOS:
- Textos;
- Papéis: ofício, cartolina, Kraft;
-Canetinhas hidrográficas;
-Giz de cera;
- Revistas e jornais;
- Cola;
- Barbante;
- Computador com acesso à internet;
- Aparelho de som com microfone.
-Fantasias;
-Câmara fotográfica;
-Filmadora:
-CDS E DVDS do Sítio do Pica-pau Amarelo.
-Microfone;
Peneira;
-Garrafa de vidro.

RECURSOS HUMANOS NECESSÁRIOS:

- Alunos;
- Professores:
- Pais;
            -Ates;
-Gestor;
-C.P.
- Colaboradores.
-Funcionários do quadro.
CRONOGRAMA:
Atividade
1
2
3
4
5
6
7
Exposição dialogada
1h/a






Leituras: textos e letras de músicas e outros

1h/a





Filme


1h/a




Aparição de personagem /músicas



1h/a



Projeção de imagens/ produções coletivas e individuais/ exposições




1h/a


Produção de livro





1h/a

Apresentação teatral pelos profs. para as crianças






1h/a


ROTEIRO DE TRABALHO:
-1
- Fazer um levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos a cerca do tema.
- Socializar as descobertas  e analisar os sentimentos envolvidos.
-Suscitar a curiosidade sobre o autor, obra e personagens.
-Listar as informações coletadas.
Duração: 50 minutos.
 -2
- Leitura e análise da letra das música “Sítio do Pica-pau Amarelo “
-Disponibilizar em áudio as letras das músicas e acompanhar a leitura do texto impresso ou em cartaz gigante.
- Discussão sobre os  personagens do sítio e situações por eles vivenciadas.

Sobre os principais personagens:
DONA BENTA: avó de Pedrinho e Narizinho- paciente, culta, bondosa, sábia, prudente.
TIA NASTÁCIA: cozinheira, medrosa, supersticiosa, contadora de histórias.
TIO BARNABÉ: velho sábio que vive no sítio.
VISCONDE DE SABUGOSA: feito de um sabugo de milho, um sábio de cartola e que sabe tudo sobre todas as coisas.
MARQUÊS DE RABICÓ: um porquinho que come tudo que vê pela frente.
EMÍLIA: uma boneca de pano feita pela Tia Nastácia que tomou uma pílula falante e desembestou numa falação sem tamanho, ela vira gente, apronta, inventa, encanta e é encantadora.
NARIZINHO e PEDRINHO: netos da Dona Benta, crianças espertas, curiosas e inteligentes.
CUCA: uma velha, com cabeça de jacaré, ou melhor, jacaré bípede, cabelos amarelos e uma voz horripilante. Vive numa caverna, costuma fazer poções mágicas assim como uma bruxa.
SACI: um jovem negro com apenas uma perna, pois a outra perdeu numa luta de capoeira. Usa gorro vermelho e cachimbo. Anda num redemoinho de vento, é divertido, brincalhão e travesso. Assusta os viajantes, amarra o rabo dos bichos, esconde objetos, entre outras coisas.
OBS: AS LEITURAS DEVEM SER VARIADAS E  APRESENTADAS UMA VEZ POR SEMANA.
EX: letras de músicas, fábulas do Monteiro Lobato, Histórias narradas pelos personagens, entre outras.
EX: 1- letra da música EMÍLIA
EMÍLIA
DE UMA CAIXA DE COSTURA
PANO, LINHA E AGULHA
NASCEU UMA MENINA VALENTE
EMÍLIA, A BONECA GENTE

NOS PRIMEIROS MOMENTOS DE VIDA
ERA TODA DESENGONÇADA
FICAR EM PÉ NÃO PODIA, CAÍA
NÃO CONSEGUIA NADA...

EMÍLIA, EMÍLIA, EMÍLIA
EMÍLIA, EMÍLIA, EMÍLIA

MAS A PARTIR DO MOMENTO
QUE APRENDEU A ANDAR
EMÍLIA TOMOU UMA PÍLULA
E TAGARELOU, TAGARELOU A FALAR

ELA É FEITA DE PANO
MAS PENSA COMO UM SER HUMANO
ESPERTA E ATREVIDA
É UMA MARAVILHA
EMÍLIA, EMÍLIA

EMÍLIA, EMÍLIA, EMÍLIA
EMILÍA, EMÍLIA, EMÍLIA

PARA CADA HISTÓRIA ELA TEM UM PLANO
INVENTA MIL IDÉIAS, NÃO ENTRA PELO CANO
AH! ESSA BONECA É UMA MARAVILHA!

EX: 2- Fabula
A coruja e a águia. (do livro Fabula da Editora Brasiliense)
A coruja e a águia, depois de muita briga, resolveram fazer as pazes.
-Basta de guerra – disse a coruja.
- O mundo é grande e tolice maior que o mundo e andarmos a comer os filhotes uma da outra.
- Perfeitamente – respondeu a águia.
-Também eu não quero outra coisa.
-Nesse caso combinemos isto: de ora em diante não comerás nunca os meus filhotes.
- Muito bem. Mas como posso distinguir os teus filhotes?
- Coisa fácil. Sempre que encontrares uns borrachos lindos, bem feitinhos de corpo, alegres, cheios de uma graça especial que não existe em filhote de  nenhuma outra ave, já sabes, são os meus.
- Está feito! – concluiu a águia.
Dias depois, andando à caça, a águia encontrou um ninho com uns monstrengos dentro, que piavam de bico aberto.
- Horríveis bichos! – disse ela. – Vê-se logo que não são os filhos da coruja. E comeu-os.
Mas eram os filhos da coruja. Ao regressar à toca, a triste mãe chorou amargamente o desastre e foi justar contas com a rainha das aves.
-Quê? – disse esta admirada. – Eram teus filhotes aqueles monstrenguinhos?  Pois não se pareciam nada com o retrato que deles me fizeste...
PARA RETRATO DE FILHO NINGUÉM ACREDITE EM PINTOR PAI.
LÁ DIZ O DITADO: quem o feio ama, bonito lhe parece.

EX:3 Fabula

O cavalo e o burro
                                                                                              Monteiro Lobato
          O cavalo e o burro seguiam juntos para a cidade.  O cavalo contente da vida, folgando com uma carga de quatro arrobas apenas, e o burro — coitado!  gemendo sob o peso de oito.  Em certo ponto, o burro parou e disse:
          — Não posso mais!  Esta carga excede às minhas forças e o remédio é repartirmos o peso irmãmente, seis arrobas para cada um.
        O cavalo deu um pinote e relinchou uma gargalhada.
        — Ingênuo!  Quer então que eu arque com seis arrobas quando posso tão bem continuar com as quatro?  Tenho cara de tolo?
        O burro gemeu:
         — Egoísta,  Lembre-se que se eu morrer você terá que seguir com a carga de quatro arrobas e mais a minha.
         O cavalo pilheriou de novo e a coisa ficou por isso.  Logo adiante, porém, o burro tropica, vem ao chão e rebenta. 
        Chegam os tropeiros, maldizem a sorte e sem demora arrumam com as oito arrobas do burro sobre as quatro do cavalo egoísta.  E como o cavalo refuga, dão-lhe de chicote em cima, sem dó nem piedade. 
         — Bem feito!  Exclamou o papagaio.  Quem mandou ser mais burro que o pobre burro e não compreender que o verdadeiro egoísmo era aliviá-lo da carga em excesso?  Tome!  Gema dobrado agora…


Duração: 50 minutos
-3
- Filme de um  episódios do Sítio do Pica Pau Amarelo.
O SACI
 Objetivo: Envolver e subsidiar os alunos para etapas  posteriores.
Duração: conforme o filme

-4
Visita da personagem Emília à escola: música, dança, conversa e brincadeiras.
 Emília recepcionou as crianças no portão convidando-as para brincar, interagiu com  os pais e envolveu toda comunidade escolar no mundo encantado do Monteiro Lobato.
A visita à escola foi um momento mágico para todos e de muita alegria. No primeiro momento, as crianças ficaram extasiadas, descrentes no que viam, aos poucos, foram se envolvendo com a música, cantando e dançando juntas à personagem, após algum tempo de muita folia, numa roda de conversa, Emília respondeu aos questionamentos das crianças e por fim, brincou de trenzinho ao som da música EMÍLIA.
Objetivo: Proporcionar momentos de brincar e imaginar pelo mundo da fantasia que envolve o Sítio.
OBS: Outros personagens apareceram  em outros momentos na escola: Visconde, Cuca e Saci.

Visita do personagem Visconde de Sabugosa
Como é leitor assíduo, o Visconde apareceu para ler uma história para as crianças, lindamente caracterizado ganhou logo a atenção dos pequenos, foi ouvido com atenção e também cantou, dançou, conversou e entregou as crianças aos pais no momento da saída.

Visita da personagem Cuca
A Cuca, misteriosa como ela só, apareceu no corredor da escola no momento em que todos estavam dentro da sala, gargalhava com sua voz horripilante ao mesmo tempo em que convidava as crianças para brincar. Dentro da sala, os pequenos ficaram eufóricos e logo que a “bruxa” apareceu foi uma tremenda animação. Até porque as crianças já estavam a espera da Cuca a qualquer momento, isto, pois haviam enviado uma carta ao sítio convidando-a para uma entrevista na escola.

Utilizando as mídias no universo infantil, as crianças a entrevistaram fazendo uso do microfone, filmaram e fotografaram a Cuca.

As questões elaboradas pelas crianças:

-Cuca você toma banho de lama?

-Cuca por que você fez a Narizinho virar pedra?

-Cuca por que você tem boca grande?

-Você faz maldade?
-Você toma banho?

Cuca e o momento da beleza
Em sua visita, Cuca distribuiu beleza com os seus produtos estranhos:
"creme de asa de morcego"
"pó de veneno de cobra"
"pasta de minhoca" e várias outras poções.
Antes da despedida, a Cuca cantou com as crianças e fez grande folia.
Visita do SACI
O saci certamente foi o mais esperado de todos os personagens do Sítio, foi também o que provocou mais suspense e agitação.
Primeiro, as crianças com auxílio da professora capturaram um saci com uma peneira e o colocaram numa garrafa de vidro. Dias depois...
...misteriosamente ouvia-se assoviar do lado de fora da escola, mais que de repente e do nada apareceu um saci pulando pelos arredores, por todos os lados corriam crianças, subiam nos brinquedos do parque, iam de um lado para o outro, na tentativa do melhor ângulo para ver o danado do saci, este subiu e desceu algumas vezes deixando todos alvoroçados e desapareceu como que em um redemoinho de vento.
Foi incrível!
Duração: 50 minutos
-5
Apresentar no data show, uma projeção de imagens dos personagens do Sítio.
-Após a visualização, possibilitar produções individuais e coletivas. Ex: Na quadra disponibilizar cartolinas, canetinhas e giz de cera e solicitar que desenhem o personagem preferido, na seqüência organizar uma exposição.
Duração: 50 minutos
-6
Produzir com as crianças um livro, recontar com escrita e desenho a história por eles apropriada.
As próprias crianças sugeriram a montagem do livro, foi uma produção coletiva que contou com as seguintes etapas:
-Apresentação do livro e da leitura-” O SACI  E O CURUPIRA” de Joel Rufino dos Santos- EDITORA Ática.
-Roda de conversa para definição do título.
-Produção das ilustrações.
-Roda de conversa para resgatar o episódio assistido.
-Produção do texto coletivo a partir das memórias das crianças.
-Crianças ditam, professor participa como escriba.
-Professor organiza a primeira edição.
Duração: algumas aulas
-7
A participação da tia Nastácia foi inusitada, as crianças enviaram-lhe uma carta, cuja professora foi a escriba, solicitando-lhe a receita do bolinho de chuva. Prestativa ela atendeu ao pedido das crianças e prometeu vir pessoalmente logo que melhorasse de um resfriado.
A receita chegou via correio e foi uma verdadeira aula de culinária com um sabor todo especial.
Posteriormente a própria tia Nastácia apareceu, cozinhou e serviu às crianças com todo encantamento do Sítio.
RECEITA- enviada por tia Nastácia e desenvolvida pelas crianças:  Bolinho de chuva
INGREDIENTES:
*2 ovos
*2 colheres de açúcar
*1 xícara de chá de leite
*Trigo para dar ponto
*1 colher de fermento
*canela

MODO DE PREPARO:
1-Misture bem os ingredientes até obter uma  massa não muito mole e nem tão dura.
2-Deixe aquecer uma panela com bastante óleo para que os bolinhos possam boiar.
3-Quando estiver bem quente, comece a colocar colheradas de massa e abaixe o fogo para que o bolinho não fique cru por dentro.
4-Coloque os bolinhos sobre papel absorvente e depois passe no açúcar com canela.
-8
Apresentação do teatro: os professores realizaram uma peça teatral envolvendo a maioria dos personagens do Sítio.

A PÍLULA FALANTE

AVALIAÇÃO

Os procedimentos de avaliação aplicados no decorrer da execução da proposta sinalizaram pelo êxito do trabalho.
CONSIDERAÇÕES GERAIS

A  preparação, organização,  levantamento de estratégias, elaboração de objetivos , saber, de fato, o que se queria alcançar, considerar da escola como um todo, possibilitou uma caminhada mais segura e com possibilidades maiores  de adesão. 
O trabalho foi muito bem avaliado por todos: alunos, corpo docente, pais e convidados.
Francilene Lírio dos Santos
   


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